BDMG Cultural

Ciclo de palestras Mutações abre inscrições e discute as dissonâncias do progresso

Adauto Novaes é o idealizador do ciclo de palestras

Foto: Élcio Paraíso


"O que é progresso? Para alguns teóricos, apenas uma palavra que não passa de um slogan, um clichê ou, no máximo um mito; pode ser também uma crença, jamais um conceito", afirma Adauto

O Ciclo de Conferências Mutações está com inscrições abertas para sua nova edição. Idealizado pelo filósofo e jornalista Adauto Novaes, o ciclo 2017 apresenta o tema Dissonâncias do Progresso, de 20 de setembro a 23 de outubro, no BDMG Cultural, sempre às 19h. As inscrições para o Ciclo completo são de R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia).

A abertura será no dia 20 de setembro, às 19h, no Auditório do BDMG Cultural (rua Bernardo Guimarães, 1.600 – Centro), tendo como conferencista o filósofo Vladimir Safatle. Na ocasião, ocorrerá, ainda, o lançamento do livro que reúne os ensaios do ciclo “Mutações – Entre dois Mundos” (Edições Sesc SP, 2016). 

Além de Safatle, o ciclo Mutações – Dissonâncias do Progressso contará com os conferencistas Newton Bignotto, Luis Alberto Oliveira, Oswaldo Giacoia Jr., Pedro Duarte, Francisco Bosco, Marcelo Jasmim, Eugênio Bucci, Guilherme Wisnik, Jorge Coli, Renato Lessa, Franklin Leopoldo e Silva e Antônio Cícero, o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras. Além de Belo Horizonte, as conferências serão realizadas no Rio de Janeiro e em Brasília.

Informações e inscrições no site Mutações. As inscrições para o ciclo completo são de R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), e, para conferências avulsas, o investimento é de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Mutações – Dissonâncias do Progresso é uma realização da Artepensamento, com patrocínio do BDMG Cultural nas itinerâncias de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, do BDMG e do Governo de Minas Gerais, e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura/Fundação Municipal de Cultura e Belotur, e da Associação Pró-Cultura Promoção das Artes – APPA e do Institut Français. 

Adauto Novaes sobre as dissonâncias do progresso 

O que é progresso? Para alguns teóricos, apenas uma palavra que não passa de um slogan, um clichê ou, no máximo um mito; pode ser também uma crença, jamais um conceito. Para ganhar estatuto de “conceito” universal, esta palavra busca em outras a legitimidade, para passar de termo relativo a absoluto: progresso e democracia, progresso e liberdade, progresso e desenvolvimento. Até mesmo ações de caráter belicista recorrem à ideia de guerra como movimento indispensável para um futuro de progresso radioso.  

Filósofos brasileiros e franceses reúnem-se, mais uma vez, em torno do conceito de Mutações, desta vez para discutir as dissonâncias do progresso.

Mas, afinal, o que legitima o progresso hoje? A impressionante herança deixada pelas inúmeras formas do progresso da ciência e da técnica é incontestável: o mundo ganhou, mas o mundo perdeu! Transformação radical das ideias de espaço e tempo, avanços na medicina e na biologia que nos preservam de muitos males – progresso com inegáveis e perenes benefícios para a humanidade - mas também, em contrapartida, um progresso que cria rigor, velocidade, precisão da relação do homem com o meio físico, desaparecimento do vago e do lento, hábitos dominados por métodos positivos governados pelas máquinas, modo científico de existência ao qual “os espíritos se acostumam rapidamente, ainda que insensivelmente”, enquanto as relações do homem com o homem permanecem, como observa o poeta e filósofo Paul Valéry, “dominados por um empirismo detestável que evidencia até mesmo, em diversos pontos, uma sensível regressão”.

Se a ciência do Iluminismo permitiu o alargamento da percepção do mundo e da vida ao destruir uma quantidade enorme de certezas, em contrapartida, as idéias de progresso, aliadas à racionalidade técnica, destroem uma das grandes invenções da humanidade – a dúvida – ao recriar e repor o mito da certeza. O mito do progresso é uma dessas novas certezas. Quem, à direita e também em boa parte da esquerda, arrisca-se a ser contra o progresso (ou seus equivalentes: desenvolvimento, crescimento econômico)? Basta ouvir os discursos de políticos, financistas, tecnocratas e até mesmo de intelectuais ilustrados. É a crença de que todos os problemas da humanidade serão resolvidos com o aumento do conhecimento científico. No ensaio O mito moderno do progresso, Jacques Bouveresse nos leva a pensar que a ideia de progresso resume dois dos mais terríveis problemas da atualidade, sintetizados por Georg Von Wright como o mito da autoridade e o império da fala: “um discurso, escreve Bouveresse, que se pode considerar como mais ou menos dispensado da argumentação, que se autolegitima e cujo protótipo é a fala que emana do fundamentalismo religioso ou da ditadura política”.   

Conferencistas e temas  

20/09/2017 - Vladimir Safatle - Teoria da revolução, progresso e emergência   

22/09/2017 - Newton Bignotto - A política desconstruida e a retomada da guerra de facções

25/09/2017 - Luiz Alberto Oliveira - O que se entende por fim da humanidade? Ou por fim do "progresso como fim"   

26/09/2017 - Oswaldo Giacoia Jr. - Progresso e barbárie civilizada   

27/09/2017 - Pedro Duarte - O fim do progresso   

28/09/2017 - Francisco Bosco - Compulsão à ocupação   

03/10/2017 - Marcelo Jasmim - Civilização, des-civilização e violência   

04/10/2017 - Eugênio Bucci - Sem fatos, sem política, sem imprensa   

05/10/2017 - Guilherme Wisnik - Não-lugar, cidade genérica, paisagem transgênica   

10/10/2017 - Jorge Coli - Entre desilusões e crenças   

11/10/2017 - Antonio Cícero - Caminhos da razão e do progresso   

18/10/2017 - Franklin Leopoldo e Silva - Muitas expectativas, poucas esperanças   

23/10/2017 - Renato Lessa - A vertigem da autonomia: diferenciação e fragmentação na experiência dos humanos

 


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